Em mais um turbilhão de mudança climática chove hoje no Rio de Janeiro. Incrivel como o verão por aqui consegue ser tão diferente do que a própria estação propõe ser.
Adoro dias de chuva, mesmo nas grandes metrópoles, onde o planejamento urbano é sempre colocado em prova nessas horas. Para ter uma idéia de como as coisas acontecem, indiferente de que região a cidade esteja, basta dar uma olhadinha nos principais jornais do local. Aqui no Estado do Rio de Janeiro é comum todos os dias ter aquelas reportagens de denúncias nos jornais impressos e matérias jornalísticas na TV.
É nessas horas que consolido minhas idéias dentro de mim mesmo em pensar que é a vida na metrópole que pode te proporcionar muito mais desafios. Estou certo de que ninguém gosta de pular buracos ou desviar deles no meio da rua, mas o desafio que quero dizer é algo mais ideológico. A cidade nos proporciona uma verdadeira abundância de informações e situações que temos sempre de nos modelar de acordo com o que o todo pede.
Alguns filósofos, creio, falam que foi a própria cidade que desumanizou o homem, mas até que ponto será que isso é verdade? Isso pode ser um fato do ponto-de-vista de uma pessoa que habitava um ambiente diferente e fui exilado de seu meio para os grandes centros, acredito. É o caso do bóia-fria que sai da região Nordeste em busca de emprego no Sudeste. Mas e os que já nascem na selva de pedras? Não acredito que estes devam ficar condicionados aos contentamentos de mestres e doutores só porque eles escrevem melhor que muita gente.
Não quero levantar uma nova bandeira ideológica com isso, até porque ela já deve ter sido levantada por alguém que pode ou não ler meu blog eventualmente. Mas é a partir de questionamentos assim que passamos a produzir conhecimento. Todavia, diga-se de passagem, há vezes em que a metrópole suprime o indivíduo e lhe dá uma condição mínima de sobrevivência. Tecnocracia ou Capitalismo, não sei. Não falo mais pra não perder o foco.
Na minha nova aventura pelo Estado do Rio de Janeiro já pude perceber muito da relação das pessoas daqui com a cidade em que vivem. Primeiro pois, diferentemente de Salvador, as fronteiras entre as cidades circunvizinhas ao Rio são praticamente inexistentes: tudo é uma coisa só. Além disso, as distâncias por aqui diminuem o tempo que o sujeito carioca poderia dispor para si mesmo e para conhecer sua própria cidade, sendo possível enxergar a beleza do RJ, mas isso não é algo democrático.
Como exemplo dessa falta de tempo dá pra mostrar o principal lazer do carioca em algumas poucas palavras, pois quando lhe sobra algumas horinhas do final de semana só há futebol, praia, cinema e shopping como lazer. Ironicamente, é realmente isso que acontece e só. Poucas são as pessoas daqui do Rio, até onde vi, que preferem ir a um teatro do que ir à praia, ou mesmo visitar os pontos turísticos da cidade. Para minha surpresa, muita gente nunca nem foi ver o Cristo Redentor!!
Aos poucos vou me familiarizando com o Rio de Janeiro, encontrando similaridades com Salvador, como a receptividade das pessoas, e me surpreendendo com o jeito educado de ser daqui, diferente do que falam da malandragem carioca. Obviamente deve ter muito malandro por aí, mas quero distância desses :P
No mais, algo que me deixou intrigado é a vontade de muitos cariocas conhecerem a Bahia, e o carnaval de Salvador. Vontade também de alguns paulistas com quem topei por aqui e ácola nesse Rio de Janeiro. Enquanto eu saio de lá tem gente querendo viver na terra do Axé de uma vez por todas. Realmente o Brasil é o país das diferenças :P
Vai entender isso aqui...
Abraços :)

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